NARRATIVAS EM DISPUTA: SIONISMO, COLONIALISMO E GENOCÍDIO NA PALESTINA (1948–2025)
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadernointer.v15n55.3985Resumo
O estudo analisa historicamente a relação entre o sionismo, o colonialismo de povoamento e as práticas de genocídio contra o povo palestino no período de 1948 a 2025. Parte-se da hipótese de que os acontecimentos recentes em Gaza se inserem em um processo contínuo de dominação e violência estrutural. A pesquisa fundamenta-se em abordagem qualitativa, por meio de levantamento bibliográfico e análise de discurso, buscando compreender como narrativas hegemônicas contribuem para legitimar ou ocultar a opressão palestina. O referencial teórico mobiliza conceitos como orientalismo, colonialismo, limpeza étnica, apartheid e genocídio, com base em autores como Edward Saïd, Ilan Pappé, Rashid Khalidi e Raphael Lemkin. Destaca-se a Nakba de 1948 como marco no deslocamento forçado da população palestina, interpretando-a como parte de um projeto de colonização caracterizado pela substituição da população nativa. Analisa-se, ainda, a continuidade desse processo nas dinâmicas contemporâneas de ocupação, fragmentação territorial e restrição de direitos, bem como o papel de interesses geopolíticos internacionais em sua sustentação. Conclui-se que a questão israelo-palestina deve ser compreendida para além de conflitos religiosos ou territoriais, sendo resultado de um processo histórico marcado por colonialismo, disputas de poder e violações de direitos humanos.
Palavras-chave: sionismo; colonialismo de povoamento; Palestina; Nakba; genocídio.
Abstract
This study provides a historical analysis of the relationship between Zionism, settler colonialism, and genocidal practices against the Palestinian people from 1948 to 2025. It assumes that recent events in Gaza are part of a continuous process of domination and structural violence. The research adopts a qualitative approach, based on bibliographic review and discourse analysis, aiming to understand how hegemonic narratives contribute to legitimizing or obscuring Palestinian oppression. The theoretical framework mobilizes concepts such as Orientalism, colonialism, ethnic cleansing, apartheid, and genocide, drawing on authors such as Edward Said, Ilan Pappé, Rashid Khalidi, and Raphael Lemkin. The study highlights the 1948 Nakba as a turning point in the forced displacement of the Palestinian population, interpreting it as part of a colonial project characterized by the replacement of the native population. It also examines the continuity of this process in contemporary dynamics of occupation, territorial fragmentation, and restriction of rights, as well as the role of international geopolitical interests in sustaining this structure. It concludes that the Israeli-Palestinian issue should be understood beyond religious or territorial conflicts, as the result of a historical process marked by colonialism, power disputes, and violations of human rights.
Keywords: Zionism; settler colonialism; Palestine; Nakba; genocide.
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