EDUCAÇÃO, POLÍTICA E FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS)
Resumo
Caro(a) leitor(a),
É com grande satisfação que apresentamos a primeira edição do Caderno Intersaberes do ano de 2026, cujo dossiê traz o tema Educação, política e formação de professores(as). Em tempos marcados por rápidas transformações sociais, tecnológicas e culturais, refletir sobre a formação docente tornou-se uma exigência incontornável para todos aqueles que compreendem a educação como prática comprometida com a construção democrática da sociedade. Mais do que um campo técnico, a formação de professores revela-se um espaço de disputas de sentidos, de elaboração crítica da realidade e de produção de conhecimentos capazes de responder aos desafios emergentes que atravessam a escola, a universidade e os diferentes contextos educacionais.
A partir de temas como inclusão, acessibilidade, educação bilíngue, competência digital, inteligência artificial, gestão escolar, participação política juvenil e formação continuada, os textos reunidos nesta edição evidenciam a complexidade que caracteriza o cenário educacional contemporâneo. Ao mesmo tempo em que apresentam análises situadas e problematizações específicas, os artigos convergem para uma questão comum: de que modo a educação pode contribuir para a formação de sujeitos capazes de atuar criticamente em uma sociedade marcada por desigualdades, incertezas e constantes processos de mudança?
Formar professores é uma luta — luta cotidiana, silenciosa e insistente, travada nos interstícios entre políticas educacionais muitas vezes frágeis, demandas sociais urgentes e a complexidade crescente do conhecimento contemporâneo. Preparar docentes é também tensionar o presente: é perguntar quem forma, para quem se forma e em que horizonte ético e epistemológico se sustenta essa formação. Nesse sentido, o dossiê apresenta alguns artigos da Área de Exatas que atravessam a docência como prática política e intelectual, convocando-nos a rever certezas e a acolher a instabilidade como motor de reinvenção. Ao dialogarem com o papel da Inteligência Artificial na Química — como no estudo de caso do nonilfenol —, os autores evidenciam que a inovação não é neutra: carrega consigo dilemas éticos, disputas de sentido e desafios formativos que exigem professores críticos, capazes de mediar tecnologia e humanidade. Formar, nesse contexto, é também resistir à simplificação do saber e afirmar a docência como espaço de reflexão rigorosa e sensível.
Essa luta se materializa, ainda, na valorização de ferramentas que ampliam os processos de ensino e de aprendizagem, como o uso do GeoGebra na compreensão da função do primeiro grau, revelando que a matemática pode ser, simultaneamente, rigorosa e acessível, abstrata e vivida. Entre algoritmos, gráficos e decisões pedagógicas, emerge a figura do professor como curador de experiências significativas.
Na sessão de temas diversos, a discussão sobre a protonterapia na oncologia de precisão amplia o horizonte do dossiê ao lembrar que a formação docente dialoga inevitavelmente com os avanços científicos e com as urgências da vida. Formar professores é cultivar sujeitos capazes de ler o mundo em sua complexidade técnica, ética e política. É, enfim, um gesto radical de esperança — não ingênua, mas construída no rigor do pensamento e na coragem de educar para um futuro que ainda precisa ser inventado.
Refletir sobre os textos do presente dossiê implica reconhecer que a produção do conhecimento, longe de ser linear ou estabilizada, constitui-se como um campo em tensão permanente, no qual diferentes saberes, linguagens e perspectivas se entrecruzam. Nesse movimento, o (a) leitor (a) é convocado não apenas a compreender resultados, mas a habitar os problemas, perceber as escolhas teóricas e metodológicas que sustentam cada investigação e entender que todo conhecimento é, também, situado e provisório. Trata-se, portanto, de um convite à leitura ativa, que exige sensibilidade intelectual para acolher a complexidade e disposição crítica para questionar evidências aparentes, compreendendo que formar e formar-se são processos indissociáveis da própria dinâmica de produção científica.
Ao mesmo tempo, este editorial busca mobilizar um olhar que ultrapasse a fragmentação dos campos e reconheça, na diversidade dos estudos apresentados, a potência de uma formação comprometida com a humanidade em sua amplitude. Ler este conjunto de textos é confrontar-se com a responsabilidade de pensar o conhecimento como prática social, eticamente orientada e historicamente situada, capaz de intervir no mundo e de reconfigurar modos de existir. Assim, o gesto de acessar este dossiê inscreve-se como um ato formativo em si: não apenas informa, mas convoca à reflexão, à articulação entre saberes e à compreensão de que educar — e investigar — são práticas indissociáveis na construção de futuros possíveis.
Mais do que apresentar resultados de pesquisas, os trabalhos que compõem esta edição reafirmam o valor da investigação acadêmica como exercício permanente de diálogo entre teoria e prática. Em diferentes escalas e contextos, os autores demonstram que os problemas educacionais, sociais e culturais exigem abordagens plurais, abertas à interlocução entre áreas do conhecimento e comprometidas com a produção de respostas socialmente relevantes. Nessa perspectiva, a pesquisa não se limita à compreensão da realidade, mas se constitui como possibilidade concreta de intervenção, transformação e ampliação de horizontes.
Desejamos, portanto, que a leitura deste número do Caderno Intersaberes provoque questionamentos, fomente diálogos e inspire novas investigações. Que cada artigo aqui reunido possa contribuir para o fortalecimento de uma cultura acadêmica fundamentada no rigor intelectual, na responsabilidade ética e na capacidade de imaginar futuros mais justos e inclusivos. Ao leitor e à leitora, deixamos o convite para percorrer estas páginas com curiosidade, sensibilidade crítica e disposição para o encontro com diferentes formas de conhecer e interpretar o mundo.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Dinamara Pereira Machado, Adriano Sousa Lima, Cícero Manoel Bezerra, Flávia Sucheck Mateus da Rocha, Marcos Ruiz da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
