REDES SOCIAIS DIGITAIS COMO ESPAÇO DE PARTICIPAÇÃO POLÍTICA JUVENIL: ANÁLISE DISCURSIVA DE COMENTÁRIOS NO INSTAGRAM DA SEDUC-MT
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadernointer.v15n55.3924Resumo
Este estudo analisou comentários de jovens no Instagram da Seduc-MT em resposta à proibição do uso de celulares em sala de aula, a partir de uma abordagem qualitativa, conforme Flick (2013), e fundamentado na Análise do Discurso Digital. A pesquisa articulou os conceitos de ethos discursivo (Maingueneau, 2021), tecnodiscurso (Paveau, 2021) e objetos de discurso (Mondada, 2011), incorporou também a noção de revascularização discursiva (Baronas; Lourenço, 2022) para compreender como o governo reformula seu discurso institucional nas Redes Sociais Digitais. Observou-se que a postagem da Seduc-MT, ao anunciar a proibição de maneira normativa e impositiva, construiu um ethos de autoridade que foi rapidamente tensionado pelos jovens usuários. Esses, por sua vez, mobilizaram estratégias discursivas marcadas por humor, ironia, crítica e intertextualidade, evidenciando formas contemporâneas de participação e contestação no ambiente digital. Com base ainda nas contribuições de Gouveia (2014), Krupka (2020) e Sodré (2006), o estudo demonstrou que as interações digitais operam como arenas de disputa simbólica, nas quais diferentes vozes sociais se confrontam e negociam sentidos. Nesse contexto, os estudantes não apenas reagiram à medida imposta, mas também reconfiguraram relações de poder, reivindicando maior escuta e participação nos processos decisórios educacionais. Conclui-se que, ao mobilizarem repertórios digitais e práticas discursivas críticas, os jovens ressignificam políticas públicas educacionais, afirmando-se como sujeitos ativos e politicamente engajados no espaço digital.
Palavras-chave: discurso digital; juventude; redes sociais; participação política.
Abstract
This study analyzed comments posted by young people on Seduc-MT’s Instagram in response to the ban on mobile phone use in classrooms, based on a qualitative approach (Flick, 2013) and grounded in Digital Discourse Analysis. The research articulated the concepts of discursive ethos (Maingueneau, 2021), technodiscourse (Paveau, 2021), and objects of discourse (Mondada, 2011), also incorporating the notion of discursive revascularization (Baronas; Lourenço, 2022) to understand how the government reformulates its institutional discourse on digital social networks. It was observed that Seduc-MT’s post, by announcing the ban in a normative and imposing manner, constructed an ethos of authority that was quickly challenged by young users. In turn, these users mobilized discursive strategies marked by humor, irony, criticism, and intertextuality, highlighting contemporary forms of participation and contestation in the digital environment. Drawing on contributions from Gouveia (2014), Krupka (2020), and Sodré (2006), the study demonstrated that digital interactions function as arenas of symbolic dispute, in which different social voices confront and negotiate meanings. In this context, students not only reacted to the imposed measure but also reconfigured power relations, demanding greater listening and participation in educational decision-making processes. It is concluded that, by mobilizing digital repertoires and critical discursive practices, young people resignify educational public policies and assert themselves as active and politically engaged subjects in the digital space.
Keywords: digital discourse; youth; social networks; political participation.
Resumen
Este estudio analizó comentarios de jóvenes en el Instagram de la Seduc-MT en respuesta a la prohibición del uso de teléfonos celulares en el aula, a partir de un enfoque cualitativo, conforme a Flick (2013), y fundamentado en el Análisis del Discurso Digital. La investigación articuló los conceptos de ethos discursivo (Maingueneau, 2021), tecnodiscurso (Paveau, 2021) y objetos de discurso (Mondada, 2011). Asimismo, incorporó la noción de revascularización discursiva (Baronas y Lourenço, 2022) para comprender cómo el gobierno reformula su discurso institucional en las Redes Sociales Digitales. Se observó que la publicación de la Seduc-MT, al anunciar la prohibición de manera normativa e impositiva, construyó un ethos de autoridad que fue rápidamente cuestionado por los usuarios jóvenes. Estos, a su vez, movilizaron estrategias discursivas marcadas por el humor, la ironía, la crítica y la intertextualidad, evidenciando formas contemporáneas de participación y contestación en el entorno digital. Con base también en los aportes de Gouveia (2014), Krupka (2020) y Sodré (2006), el estudio demostró que las interacciones digitales operan como espacios de disputa simbólica, en los cuales diferentes voces sociales se enfrentan y negocian significados. En este contexto, los estudiantes no solo reaccionaron ante la medida impuesta, sino que también reconfiguraron las relaciones de poder, reivindicando una mayor escucha y participación en los procesos de toma de decisiones educativas. Se concluye que, al movilizar repertorios digitales y prácticas discursivas críticas, los jóvenes resignifican las políticas públicas educativas, afirmándose como sujetos activos y políticamente comprometidos en el espacio digital.
Palabras clave: discurso digital; juventud; redes sociales; participación política.
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