MOISÉS E O MONOTEÍSMO: UMA LEITURA PSICANALÍTICA
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadernointer.v15n55.3874Resumo
Este artigo, derivado de comunicação apresentada na Jornada de Psicanálise Uninter 2025, realiza uma leitura interdisciplinar da obra Moisés e o Monoteísmo de Sigmund Freud. O estudo analisa a figura de Moisés como um operador simbólico central para compreender a gênese psíquica da autoridade, da Lei e do laço social. A investigação articula-se em dois eixos principais: primeiro, a partir de Vygotski e Erikson, examina a dinâmica coletiva de confiança e desconfiança na relação entre o líder e o povo; segundo, a partir do mito freudiano da horda primitiva e da teorização lacaniana do Nome-do-Pai, explora a função de Moisés como substituto do pai morto, agente da castração simbólica que interdita o gozo absoluto e instaura a ordem do desejo e da linguagem. O artigo dialoga ainda com as reflexões de Foucault sobre a ordem do discurso, de Russell sobre as formas de poder e de Schopenhauer sobre a Vontade, demonstrando como a narrativa mosaica condensa a passagem violenta da natureza à cultura. Conclui-se que a obra freudiana oferece um modelo metapsicológico ímpar para pensar a fundação da civilização ocidental, revelando Moisés como o significante do pacto inconsciente que estrutura a subjetividade e o laço social.
Palavras-chave: Moisés; Freud; psicanálise.
Abstract
This article, derived from a paper presented at the Jornada de Psicanálise Uninter 2025, conducts an interdisciplinary reading of Sigmund Freud's Moses and Monotheism. The study analyzes the figure of Moses as a central symbolic operator for understanding the psychic genesis of authority, Law, and the social bond. The investigation is structured along two main axes: first, drawing on Vygotsky and Erikson, it examines the collective dynamic of trust and distrust in the relationship between the leader and the people; second, based on the Freudian myth of the primal horde and the Lacanian theorization of the Name-of-the-Father, it explores Moses' function as a substitute for the dead father, an agent of symbolic castration that prohibits absolute jouissance and institutes the order of desire and language. The article also engages with Foucault's reflections on the order of discourse, Russell's analysis of forms of power, and Schopenhauer's concept of the Will, demonstrating how the Mosaic narrative condenses the violent passage from nature to culture. It concludes that Freud's work provides a unique metapsychological model for thinking about the foundation of Western civilization, revealing Moses as the signifier of the unconscious pact that structures subjectivity and the social bond.
Keywords: Moses; Freud; psychoanalysis.
Resumen
Este artículo, derivado de una comunicación presentada en la Jornada de Psicoanálisis Uninter 2025, realiza una lectura interdisciplinaria de la obra Moisés y la religión monoteísta de Sigmund Freud. El estudio analiza la figura de Moisés como un operador simbólico central para comprender la génesis psíquica de la autoridad, la Ley y el lazo social. La investigación se articula en dos ejes principales: primero, a partir de Vygotski y Erikson, examina la dinámica colectiva de confianza y desconfianza en la relación entre el líder y el pueblo; segundo, a partir del mito freudiano de la horda primitiva y la teorización lacaniana del Nombre-del-Padre, explora la función de Moisés como sustituto del padre muerto, agente de la castración simbólica que interdice el goce absoluto e instaura el orden del deseo y del lenguaje. El artículo dialoga además con las reflexiones de Foucault sobre el orden del discurso, de Russell sobre las formas de poder y de Schopenhauer sobre la Voluntad, demostrando cómo la narrativa mosaica condensa el pasaje violento de la naturaleza a la cultura. Se concluye que la obra freudiana ofrece un modelo metapsicológico único para pensar la fundación de la civilización occidental, revelando a Moisés como el significante del pacto inconsciente que estructura la subjetividad y el lazo social.
Palabras clave: Moisés; Freud; psicoanálisis.
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Referências
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