O PAPEL DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA QUÍMICA: INOVAÇÃO, ÉTICA E DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DOCENTE – UM ESTUDO DE CASO DO NONILFENOL
DOI:
https://doi.org/10.22169/cadernointer.v15n55.3866Resumo
A Inteligência Artificial (IA) tem se consolidado como uma das principais inovações tecnológicas do século presente, tendo impacto significativo na pesquisa científica, nos processos industriais e no ensino. Na área da química, essa ferramenta tem possibilitado avanços na previsão de propriedades moleculares, na avaliação de toxicidade e no desenvolvimento de rotas sintéticas mais eficientes. Contudo, a incorporação dessas tecnologias suscita importantes reflexões éticas, especialmente no que tange aos impactos socioambientais e à promoção de um raciocínio científico ético, crítico e humanizado. Diante desse cenário, o presente artigo tem como objetivo analisar o papel da Inteligência Artificial na Química, considerando seu potencial de inovação e os desafios éticos que emergem de seu uso, articulando essa discussão à formação docente, por meio de um estudo de caso de natureza didático-teórica do nonilfenol, composto amplamente utilizado como tensoativo e reconhecido como disruptor endócrino. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter bibliográfico e exploratório. Os resultados indicam que o uso crítico da IA pode contribuir tanto para a compreensão de problemas químicos complexos quanto para o desenvolvimento de uma consciência ética e comprometida com a responsabilidade socioambiental e regulatória no âmbito da formação docente.
Palavras-chave: inteligência artificial; ensino de química; ética científica; nonilfenol; consciência socioambiental.
Abstract
Artificial Intelligence (AI) has consolidated itself as one of the main technological innovations of the present century, having a significant impact on scientific research, industrial processes, and education. In the field of Chemistry, this tool enables advances in the prediction of molecular properties, toxicity assessment, and the development of more efficient synthetic routes. However, the incorporation of these technologies raises important ethical reflections, especially with regard to socio-environmental impacts and the promotion of ethical, critical, and humanized scientific reasoning. In this context, the present article aims to analyze the role of Artificial Intelligence in Chemistry, considering its innovative potential and the ethical challenges that emerge from its use, articulating this discussion with teacher education through a didactic-theoretical case study of nonylphenol, a compound widely used as a surfactant and recognized as an endocrine disruptor. Methodologically, this is a qualitative study of a bibliographic and exploratory nature. The results indicate that the critical use of AI can contribute both to the understanding of complex chemical problems and to the development of ethical awareness committed to socio-environmental and regulatory responsibility within the scope of teacher education.
Keywords: artificial intelligence; chemistry education; scientific ethics; nonylphenol; socio-environmental and regulatory responsibility.
Resumen
La Inteligencia Artificial (IA) se ha consolidado como una de las principales innovaciones tecnológicas del siglo presente, teniendo un impacto significativo en la investigación científica, los procesos industriales y la educación. En el área de la Química, esta herramienta posibilita avances en la predicción de propiedades moleculares, la evaluación de la toxicidad y el desarrollo de rutas sintéticas más eficientes. No obstante, la incorporación de estas tecnologías suscita importantes reflexiones éticas, especialmente en lo que respecta a los impactos socioambientales y a la promoción de un razonamiento científico ético, crítico y humanizado. En este contexto, el presente artículo tiene como objetivo analizar el papel de la Inteligencia Artificial en la Química, considerando su potencial de innovación y los desafíos éticos que emergen de su uso, articulando esta discusión con la formación docente, a través de un estudio de caso didáctico-teórico del nonilfenol, un compuesto ampliamente utilizado como tensioactivo y reconocido como disruptor endocrino. Metodológicamente, se trata de una investigación de naturaleza cualitativa, de carácter bibliográfico y exploratorio. Los resultados indican que el uso crítico de la IA puede contribuir tanto a la comprensión de problemas químicos complejos como al desarrollo de una conciencia ética comprometida con la responsabilidad socioambiental y regulatoria en el ámbito de la formación docente.
Palabras clave: inteligencia artificial; enseñanza de la química; ética científica; nonilfenol; responsabilidad socioambiental y regulatoria.
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