Anacronismo biológico: a gênese do mal-estar na modernidade

Autores

  • Anderson Bernardi Uninter
  • Nicole Geraldine de Paula Marques Witt Centro Universitário Internacional UNINTER

Resumo

Resumo

O presente trabalho analisa a relação entre as configurações biológicas ainda primatas do ser humano em interação com o inédito ambiente artificial e tecnológico da modernidade, com a finalidade de averiguar a origem precípua do mal-estar psicológico vivenciado pelo sujeito contemporâneo. A predileção pelo tema é fruto da expectativa de chegar-se a constatações basilares que permitam nortear nossas condutas em um universo caótico e indiferente às preocupações dos indivíduos que nele residem. Somos seres sencientes; soa-nos mais importante como nos sentimos que o que fazemos. De modo a saciar os impulsos primordiais à sobrevivência e perpetuação, as emoções servem como bússola existencial. Porém, em 99,5% do tempo desde que existem espécies hominídeas, vivemos como caçadores-coletores. Ou seja, ainda portamos mentes e corpos de selvagens; um organismo preparado para responder a um ambiente pré-histórico que não faz mais parte do nosso cotidiano. Seja dito, nosso sistema biológico tornou-se anacrônico. Nossas escolhas não vão muito além do que tentar readaptar tais anseios primatas a um mundo artificial. Doravante, faz-se imprescindível uma nova compreensão que supere o ideário mecanicista provocado como resposta à ruptura entre a tradição herdada e o estabelecimento da autonomia da razão.

Palavras-chave: Adaptação. Evolução. Tecnologia. Genética. Emoções.

Abstract

The present work analyzes the relationship between the still primate biological configurations of the human being in interaction with the unprecedented artificial and technological environment of modernity, with the purpose of verifying the main origin of the psychological malaise experienced by the contemporary subject. The predilection for the theme is the result of the expectation of arriving at basic findings that allow us to guide our conduct in a chaotic and indifferent universe to the concerns of the individuals who reside in it. We are sentient beings; it sounds more important to us how we feel than what we do. In order to satiate the primary impulses for survival and perpetuation, emotions serve as an existential compass. However, 99.5% of the time since hominid species exist, we lived as hunter-gatherers. That is, we still carry minds and bodies of savages; an organism prepared to respond to a prehistoric environment that is no longer part of our daily lives. Be it said, our biological system has become anachronistic. Our choices do not go much further than trying to re-adapt these primate yearnings to an artificial world. Henceforth, a new understanding is needed that surpasses the mechanistic ideology provoked in response to the rupture between the inherited tradition and the establishment of the autonomy of reason.

Keywords: Adaptation. Evolution. Technology. Genetics. Emotions.

Resumen

Este trabajo analiza la relación entre las configuraciones biológicas, todavía de primates, del ser humano, en interacción con el inédito ambiente artificial y tecnológico de la modernidad, con la finalidad de verificar el origen esencial del malestar psicológico del sujeto contemporáneo. La preferencia por el tema es fruto de la expectativa de se llegar a constataciones de base, que permitan orientar nuestras conductas en un universo caótico e indiferente a las preocupaciones de los individuos que en él habitan. Somos seres sintientes; nos suena más importante como nos sentimos que lo que hacemos. De forma a saciar los impulsos primordiales a la supervivencia y a la perpetuación, las emociones sirven como brújula existencial. Sin embargo, el 99,5% del tiempo desde que existen las especies homínidas, vivimos como cazadores-recolectores. Es decir, todavía tenemos mentes y cuerpos de salvajes; un organismo preparado para responder a un ambiente prehistórico que ya no corresponde a nuestro cotidiano. Es decir, nuestro sistema biológico se ha vuelto anacrónico. Nuestras escogencias van mucho más allá de un intento de readaptación de tales deseos originarios a un mundo artificial. En adelante, se hace imprescindible una nueva comprensión, que supere el ideario mecanicista generado como respuesta a la ruptura entre la tradición heredada y el establecimiento de la autonomía de la razón.

Palabras-clave: Adaptación. Evolución. Tecnología. Genética. Emociones.

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Biografia do Autor

Anderson Bernardi, Uninter

Aluno do curso de Ciências Biológicas do Centro Universitário Internacional UNINTER

Nicole Geraldine de Paula Marques Witt, Centro Universitário Internacional UNINTER

Professora e tutora da área de Geociências do Centro Universitário Uninter.

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Publicado

2020-10-29

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